Número 12 - Ano 4 – abril, maio e junho de 2009.

A idéia de escolher acessibilidade como tema do ano, tem nos trazido bons indícios de que no cotidiano as palavras acessibilidade, igualdade de oportunidades e inclusão vêm sendo usadas como sinônimos. No entanto, é bom ficarmos atentos, uma vez que na prática, criar oportunidades iguais, nem sempre implicará em acessibilidade e/ou inclusão.

Pensemos na oportunidade de acesso ao mercado de trabalho ao deficiente intelectual; ela hoje existe e é facilitada pela Lei de Cotas. Desta forma, a oportunidade foi criada e a obtenção de uma vaga de emprego tornou-se mais favorável, mais acessível. Entretanto, há casos em que os deficientes não se sentem incluídos ao seu ambiente escolar ou de trabalho. Isto se dá por dois fatores que muitas vezes fogem ao controle de qualquer instituição: um deles é a história de vida da própria pessoa com deficiência, que pode ter contribuído ou não para sua autoestima e, consequentemente, para seu sentimento de pertencer. O outro diz respeito ao quanto as pessoas ao redor estão dispostas a aceitar e facilitar suas relações com uma pessoa diferente. E é exatamente neste ponto que devemos refletir para intervir e promover a real inclusão.

Neste Boletim, temos uma entrevista com Juçara Farias, que aponta o caminho para uma inclusão responsável, efetiva e real. Ela coordena, na Câmara dos Deputados, 08 (oito) estudantes da Apae do Distrito Federal com deficiência intelectual e que cuidam da manutenção do acervo documental da Instituição. Na entrevista, ela fala do quão gratificante tem sido a experiência.

O artigo de Maria Aparecida Gugel, Subprocuradora-geral do Trabalho e procuradora jurídica da Apae-DF, traz uma reflexão de como construir ambientes de trabalho realmente acessíveis para o deficiente intelectual.

Por sua vez, Maria Amélia Vampré apresenta o artigo 27 da Convenção da ONU sobre o direito das pessoas com deficiência que trata de trabalho e emprego, mostrando um contraponto entre o que está escrito e o que de fato vem acontecendo na prática, na visão dos nossos autodefensores.

Além disso, temos também as notícias relevantes do trimestre, como a reunião dos coordenadores estaduais de Educação Física em Campo Grande/MS e a Conferência Global sobre Educação Inclusiva que será realizada em outubro em Salamanca, Espanha.

Desejamos que este Boletim possa ajudar ainda mais na reflexão sobre o que é acessibilidade, inclusão e igualdade de oportunidades.


Boa leitura!



Abraço Fraterno,

Eduardo Barbosa
Presidente da Federação Nacional das Apaes

Tema 2009: Quebre a resistência e tome uma atitude: construa acessibilidade para a pessoa com deficiência intelectual


<< voltar