Ao rever a história da Rede Apae, ainda se tem nítida
na memória a lembrança do que foi a questão do trabalho
para jovens com deficiência intelectual. A dúvida, dentre
outras, era como desenvolver habilidades nesses jovens
e qual estratégia deveria ser utilizada, a fim de que
os mesmos pudessem sentir-se e tornarem-se úteis. Isso
foi pelo ano de 1961, 1962, quando a Sociedade Pestalozzi,
na época, já fazia esforços notáveis para desenvolver
atividades para essas pessoas nas então chamadas “oficinas
protegidas”, das quais nos orgulhávamos tanto.
As
décadas foram passando e a questão do trabalho continua
a merecer cuidado e interesse especial pois, o homem,
o ser humano, se lhe tiram a capacidade de trabalhar acaba
por ter sua autoestima defasada, muito comprometida, passando
a ser um “ninguém” em seus contatos sociais e humanos.
Daí o temor, por parte dos governantes de qualquer país
—seja no Brasil ou nos Estados Unidos, por exemplo—, quando
existem altas taxas de desemprego, demandando esforços
para alimentar e estabelecer novas fontes de trabalho.
Se
for assim, de maneira geral, também o trabalho de pessoas
com deficiência intelectual deverá ser considerado nesse
contexto, já que adultos com deficiência intelectual têm
recebido treinamento e orientação adequados para integrar
e concorrer, com sucesso, no mundo do trabalho.
Claro
que esta é apenas uma ponta do iceberg. Há muito que lutar,
muito que fazer para conseguir melhores condições para
os deficientes intelectuais. Daí a importância do artigo
27 da Convenção das Nações Unidas sobre os direitos de
pessoas com deficiência intelectual reproduzido a seguir:
Vemos, pelas observações dos autodefensores, que o caminho para a maioria das pessoas — jovens e adultas — com deficiência intelectual não é fácil; inúmeros são os desafios a serem enfrentados. Uma constante campanha mundial de valorização dessas pessoas se impõe, e, de fato, faz-se imprescindível.
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